O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu que o Banco Central estude a possibilidade de excluir os preços de alimentos e energia do cálculo oficial da inflação, que são os itens que mais puxam a alta da inflação. A declaração foi feita nesta segunda-feira (24), durante um evento promovido pelo jornal Valor Econômico.
Alckmin comparou a proposta ao modelo adotado pelo Federal Reserve, nos Estados Unidos, que desconsidera esses itens em sua métrica de inflação, prática que o vice-presidente classificou como "inteligente". Ele também demonstrou otimismo quanto à queda nos preços dos alimentos ao longo do ano, citando uma projeção de aumento de quase 10% na safra agrícola. Segundo ele, se no ano passado o crescimento do PIB foi impulsionado pela indústria, em 2025 a agricultura será o principal motor da economia.
Para conter a alta dos preços, Alckmin mencionou estratégias como o uso de estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a redução de tarifas de importação sobre determinados produtos alimentícios. Ele destacou ainda que, enquanto o governo federal não tributa a cesta básica, alguns estados aplicam ICMS sobre esses itens, e sugeriu que, em situações específicas, a redução desse imposto poderia ser uma solução temporária para controlar a inflação. Em momento algum foi apresentada a proposta de redução nos gastos do governo federal.
A volatilidade dos preços de alimentos e energia são fortemente impactados por fatores externos e sazonais. Ao sugerir que esses itens sejam excluídos do cálculo da inflação, Alckmin argumenta que a medida permitiria uma análise mais precisa do cenário econômico e auxiliaria na formulação de políticas públicas mais eficazes.